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ANÁLISE GEOELEITORAL · CHILE, PERU, COLÔMBIA E BRASIL

Três direitas e uma esquerda: quatro segundos turnos, quatro mapas

Entre dezembro de 2025 e outubro de 2026, Chile, Peru, Colômbia e Brasil escolheram presidente em 2º turno. Três elegeram a direita e um reelegeu a esquerda. O mapa de cada país mostra o que se repete na região e o que depende da história de cada país.

José Antonio Kast, Keiko Fujimori, Abelardo de la Espriella e Lula
Bandeira · Chile
José Antonio Kast
Chile
José Antonio
Kast
58,2%
14 de dez. de 2025
contra Jeannette Jara, 41,8%
Venceu em 310 de 346 comunas
Bandeira · Peru
Keiko Fujimori
Peru
Keiko Fujimori
50,1%
7 de junho de 2026
contra Roberto Sánchez, 49,9%
Venceu em 46 de 196 províncias
Bandeira · Colômbia
Abelardo de la Espriella
Colômbia
Abelardo
de la Espriella
50,5%
21 de junho de 2026
contra Iván Cepeda, 49,5%
Venceu em 758 de 1.189 municípios
Bandeira · Brasil
Lula da Silva
Brasil
Lula da Silva
51,8%
25 de outubro de 2026
contra Flávio Bolsonaro, 48,2%
Venceu em 2.875 de 5.571 municípios

Contexto

Em dez meses, quatro países da América do Sul definiram a Presidência em 2º turno, sempre entre um candidato de direita e um de esquerda. No Chile, em dezembro de 2025, José Antonio Kast, do Partido Republicano, de direita, venceu Jeannette Jara, do Partido Comunista, candidata da coalizão de esquerda do governo de Gabriel Boric. No Peru, em junho de 2026, Keiko Fujimori, da Fuerza Popular, de direita, venceu Roberto Sánchez, de Juntos por el Perú, de esquerda. Na Colômbia, também em junho, Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores de la Patria, de direita, venceu Iván Cepeda, do Pacto Histórico, a coalizão de esquerda do presidente Gustavo Petro. Em outubro, no Brasil, o presidente Lula, do PT (Partido dos Trabalhadores), de esquerda, venceu Flávio Bolsonaro, do PL (Partido Liberal), de direita, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

São países diferentes antes mesmo do voto. O Peru é o mais indígena: uma em cada cinco pessoas. Chile e Brasil são os mais urbanos, perto de 88%. O Chile tem a população adulta mais escolarizada, com 11,3 anos de estudo em média, e o Brasil, a menos, com 8,4.

Os quatro países
Perfil de cada país
Percentual da população indígena e urbana, e média de anos de estudo da população de 25 anos ou mais. Cada coluna tem a sua escala.
ChilePeruColômbiaBrasilPopulação indígenaChile · População indígena: 11,5%11,5%Peru · População indígena: 20,3%20,3%Colômbia · População indígena: 4,5%4,5%Brasil · População indígena: 0,6%0,6%População urbanaChile · População urbana: 87,8%87,8%Peru · População urbana: 79,6%79,6%Colômbia · População urbana: 75,4%75,4%Brasil · População urbana: 87,4%87,4%Anos de estudo, adultosChile · Anos de estudo, adultos: 11,311,3Peru · Anos de estudo, adultos: 10,210,2Colômbia · Anos de estudo, adultos: 9,09,0Brasil · Anos de estudo, adultos: 8,48,4
Fonte: censos de cada país. Chile: Censo 2024 (indígena) e Censo 2017 (urbana). Peru: Censo 2017. Colômbia: Censo 2018. Brasil: Censo 2022, cor ou raça. Anos de estudo: PNUD, Relatório de Desenvolvimento Humano 2025 (dado de 2023).

No resultado, os parecidos são outros. Kast foi o que mais venceu, e o Chile não se parece com nenhum dos outros: foi a única vitória folgada, e o mapa chileno se ordena pela religião. Peru e Colômbia se parecem pelo resultado geral, com a direita vencendo por um ponto ou menos. O Brasil, o único a eleger a esquerda, se parece com o Peru em vários traços do mapa.

Para cada país, cruzamos o voto da menor unidade disponível (comuna no Chile, província no Peru, município na Colômbia e no Brasil) com o perfil social do território. Os dados descrevem territórios, não pessoas. O dado diz que, onde há mais de um traço, houve mais voto num candidato, não que as pessoas com esse traço votaram nele. E os indicadores não são idênticos entre países, por isso se compara a direção, não o tamanho.

Quatro resultados, quatro pontos de partida

Kast teve 58,2% e venceu em 310 das 346 comunas. Foi a única vitória ampla. Fujimori (50,1%) venceu por menos de meio ponto, e De la Espriella (50,5%), por cerca de um. Lula teve 51,8%, uma diferença de 3,6 pontos.

O território conta uma história à parte. Fujimori venceu a Presidência ganhando só 46 das 196 províncias. Essas 46 reúnem 61,7% dos votos do país, e só Lima tem 32,2%. De la Espriella venceu em 64% dos municípios, e Lula, em 52%. Uma comuna, uma província e um município não têm o mesmo peso, então o território vencido não substitui o voto.

2º turno
Votos e território do vencedor
Percentual do vencedor entre os dois finalistas e percentual das unidades territoriais em que teve mais votos.
VotosUnidades vencidas0%20%40%60%80%100%Votos · Chile Kast: 58,2%58,2%Unidades vencidas · Chile Kast: 89,6%89,6%ChileKastVotos · Peru Fujimori: 50,1%50,1%Unidades vencidas · Peru Fujimori: 23,5%23,5%PeruFujimoriVotos · Colômbia De la Espriella: 50,5%50,5%Unidades vencidas · Colômbia De la Espriella: 63,8%63,8%ColômbiaDe la EspriellaVotos · Brasil Lula: 51,8%51,8%Unidades vencidas · Brasil Lula: 51,6%51,6%BrasilLula
Fonte: TSE (5.571 municípios). DecideLatam, a partir de Servel (Chile), ONPE (Peru, corte de cerca de 93% das atas no 2º turno) e Registraduría (Colômbia, pré-contagem). Unidades: 346 comunas, 196 províncias, 1.189 municípios na Colômbia.

Onde a esquerda e a direita são fortes

No mapa, cada país tem a sua divisão. No Chile, quase tudo é de Kast. Jara venceu em 36 comunas, quase todas no centro do país, na periferia de Santiago, a capital, e em Valparaíso, a segunda maior cidade do Chile. Em nenhuma delas passou de 60%. No Peru, o país se parte em dois: a serra deu 69,9% a Sánchez, e a costa, onde está Lima, deu 58,5% a Fujimori.

Na Colômbia, a esquerda é forte nas bordas: o Pacífico deu 77,7% a Cepeda, e o Caribe, 58,5%. O centro andino, com dois terços dos votos, deu 55,4% a De la Espriella. No Brasil, o Nordeste deu 69,4% a Lula, e o Sul e o Centro-Oeste deram 62,6% e 60,0% a Flávio. O Norte se dividiu ao meio: Pará e Amazonas com Lula, Roraima, Rondônia e Acre com Flávio.

2º turno
Quem venceu em cada território, e por quanto
Percentual do candidato vencedor entre os dois finalistas, por comuna (Chile), província (Peru) e município (Colômbia e Brasil). Em azul, a direita. Em vermelho, a esquerda. Cada país em escala própria.
Direita 65% ou mais55–65%50–55%50–55%55–65%Esquerda 65% ou maissem dado
Chile
Kast × Jara
Peru
Fujimori × Sánchez
Colômbia
De la Espriella × Cepeda
Brasil
Flávio × Lula
Fonte: TSE e IBGE (Brasil). DecideLatam, a partir de Servel, ONPE (cerca de 93% das atas) e Registraduría. Limites: geoBoundaries. Chile sem Ilha de Páscoa, Juan Fernández e Antártica. Colômbia sem San Andrés. Peru: quatro províncias da Amazônia sem votos na base (cinza).

O mesmo traço, o sinal contrário

No debate público, o eleitor de direita costuma ter um retrato fixo: mais urbano, mais escolarizado, com mais renda. Nos quatro países, esse retrato muda de sinal de um lugar para outro. O Brasil se parece mais com o Peru.

Para comparar, dividimos o eleitorado de cada país em duas metades. Na escolaridade, por exemplo, uma metade vive nas comunas, províncias ou municípios menos escolarizados, e a outra nos mais escolarizados. O gráfico mostra quantos pontos a direita teve a mais, ou a menos, na metade com mais do traço.

Comparado · 4 países
Onde o traço é maior, a direita ganha ou perde votos?
Diferença, em pontos, entre o voto no candidato de direita (Kast, Fujimori, De la Espriella e Flávio) na metade do eleitorado com mais do traço e na metade com menos. Barra à direita: onde o traço é maior, a direita teve mais votos. Barra à esquerda: teve menos.
ChilePeruColômbiaBrasil← direita perdedireita ganha →−20−100+10+20Mais anos de estudoChile · Mais anos de estudo: −4,5−4,5Peru · Mais anos de estudo: +17,0+17,0Colômbia · Mais anos de estudo: −1,7−1,7Brasil · Mais anos de estudo: +8,3+8,3Mais urbanizaçãoChile · Mais urbanização: −9,7−9,7Peru · Mais urbanização: +21,0+21,0Colômbia · Mais urbanização: +0,7+0,7Brasil · Mais urbanização: +6,9+6,9Menos pobrezaChile · Menos pobreza: −4,5−4,5Peru · Menos pobreza: +15,9+15,9Colômbia · Menos pobreza: +1,9+1,9Brasil · Menos pobreza: +18,2+18,2Mais população afroChile · Mais população afro: −8,1−8,1Peru · Mais população afro: +11,4+11,4Colômbia · Mais população afro: −9,8−9,8Brasil · Mais população afro: −8,4−8,4Mais população indígenaChile · Mais população indígena: −3,5−3,5Peru · Mais população indígena: −12,4−12,4Colômbia · Mais população indígena: −12,5−12,5Brasil · Mais população indígena: −3,9−3,9
Fonte: DecideLatam, com Servel, ONPE, Registraduría e TSE, e os censos de cada país. Votos válidos do 2º turno, sem o exterior. Escolaridade: média de anos de estudo dos adultos. Na Colômbia e no Brasil, ela é calculada a partir do nível de instrução. Pobreza: % da população abaixo da linha de pobreza por renda. No Brasil, a linha é meio salário mínimo por pessoa, e na Colômbia, que não mede a pobreza por renda nos municípios, é a pobreza multidimensional. No Chile, urbanização é densidade. Afro no Brasil é a população preta.

No Peru e no Brasil, as barras de escolaridade, urbanização e pobreza vão para a direita. Na metade mais escolarizada do Brasil, Flávio teve 52,4%, e na menos escolarizada, 44,1%. No Peru, a distância foi maior: Fujimori teve 58,6% e 41,6%. A cidade votou em Fujimori e a serra rural, em Sánchez. Na Colômbia, as barras são curtas: escolaridade, urbanização e pobreza quase não separam os candidatos.

No Chile, todas as barras vão para a esquerda, mas isso não quer dizer que quanto mais estudo, menos Kast. Medimos a escolaridade pela média de anos de estudo dos adultos de cada comuna, segundo o Censo 2024. É o tempo passado na escola, não uma medida de conhecimento. Por essa régua, o voto em Kast desenha um U. Ele teve 70,0% nas comunas com 9 a 10 anos de estudo, caiu para 54,2% nas de 13 a 14 e voltou a subir, para 62,7%, nas de 14 ou mais, como Vitacura (87%), Lo Barnechea (83%) e Las Condes (78%).

As duas pontas do U são o campo e os bairros ricos de Santiago. O fundo, entre 12 e 14 anos de estudo, inclui a Grande Santiago popular e de classe média, onde Kast ficou abaixo de 50% em Maipú e em Puente Alto. As comunas desse fundo reúnem 46% dos votos, e os bairros ricos, 8,3%. Por isso, a metade mais escolarizada do Chile votou menos em Kast, e a barra vai para a esquerda. O mesmo acontece com a urbanização, em que Kast teve 63,1% na metade menos urbana e 53,4% na mais urbana, e com a pobreza: 68,0% nas comunas com menos pobres, que reúnem 5% dos votos, 54,7% no meio e 60,4% na metade mais pobre.

Com a população afrodescendente, o Brasil fica do lado da Colômbia e do Chile. Na metade com mais pessoas que se declaram pretas, Flávio teve 44,0%, e na outra, 52,4%. Na Colômbia, Cepeda foi melhor onde há mais população afro, como no Pacífico. No Chile, onde só 0,9% da população se declara afrodescendente, a barra também vai para a esquerda. No Peru, a população afro da costa norte votou mais em Fujimori.

No Brasil, parte dessas diferenças é a distância entre regiões: o Sul e o Centro-Oeste têm menos pobreza e votam mais à direita que o Nordeste. Mas a pobreza separa os candidatos mesmo quando se compara cada município só com os do próprio estado. A escolaridade, a urbanização e a população preta separam menos dentro de cada estado, mas continuam separando.

A religião não conta uma só história

No Chile, a religião foi o traço que mais ordenou o mapa. Onde há mais pessoas sem religião, Kast teve bem menos votos (−0,67). Onde há mais católicos e evangélicos, teve mais. No Brasil, o crescimento evangélico vem redesenhando o mapa eleitoral há mais de uma década.

No Brasil, os municípios mais evangélicos votaram mais em Flávio (+0,39), e essa relação se mantém igual dentro de cada estado (+0,39). Mas a divisão é outra. A população sem religião não faz diferença no Brasil (+0,01). O que separa é ser evangélico ou católico: os municípios mais católicos votaram menos em Flávio (−0,30), enquanto no Chile votaram mais em Kast.

Chile e Brasil · 2º turno
Voto segundo a religião
Correlação entre a composição religiosa de cada comuna ou município e o voto em Kast e em Flávio.
Chile (Kast)Brasil (Flávio)← mais esquerdamais direita →−0,8−0,40+0,4+0,8Sem religiãoChile (Kast) · Sem religião: −0,67−0,67Brasil (Flávio) · Sem religião: +0,01+0,01CatólicosChile (Kast) · Católicos: +0,24+0,24Brasil (Flávio) · Católicos: −0,30−0,30EvangélicosChile (Kast) · Evangélicos: +0,27+0,27Brasil (Flávio) · Evangélicos: +0,39+0,39
Fonte: Servel e Censo 2024 (INE) no Chile. TSE e Censo 2022 (IBGE, resultados preliminares da amostra, população de 10 anos ou mais) no Brasil. Correlação ponderada pelos votos válidos do 2º turno.

O único traço que se repete

A população indígena é o único traço medido nos quatro países em que as quatro barras vão para o mesmo lado. Nos quatro países, a direita teve menos votos na metade do eleitorado que vive nos lugares mais indígenas. A diferença é maior na Colômbia (56,4% contra 43,9%) e no Peru (56,3% contra 43,9%), e menor no Brasil (50,2% contra 46,3%) e no Chile (60,0% contra 56,5%).

O que muda é a escala. No Peru, uma em cada cinco pessoas se identifica como indígena (20,3%, Censo 2017). No Chile, 11,5% (Censo 2024). Na Colômbia, uma em cada 22 (4,5%). No Brasil, 0,6% da população se declara indígena no quesito cor ou raça do Censo 2022. Por isso, no Brasil, a barra aparece, mas quase não pesa no resultado.

No Chile, as metades escondem um detalhe. As 30 comunas onde os indígenas são maioria votaram em Kast (67,6%), das aimarás do altiplano, como Colchane, às mapuches da Araucanía, como Galvarino e Saavedra. Mas elas somam 1,9% dos votos. Os dados são das comunas, não das pessoas, e não dizem como votou cada eleitor indígena.

Onde a esquerda é forte, e quanto isso pesa

Três dos quatro países têm uma região onde a esquerda vence com folga. O que muda é o tamanho dela. O Nordeste deu 69,4% a Lula e reúne 28,4% dos votos do Brasil. A serra peruana deu 69,9% a Sánchez e reúne 26,7%. O Pacífico colombiano deu ainda mais a Cepeda, 77,7%, mas reúne só 7,1% dos votos. No Chile, Kast venceu nas 16 regiões.

2º turno
A esquerda na sua região mais forte e no resto do país
Percentual do candidato de esquerda entre os dois finalistas. Abaixo de cada região, a parte dos votos do país que ela reúne.
Na regiãoNo resto do país0%20%40%60%80%Na região · Nordeste (Lula) 28,4% dos votos: 69,4%69,4No resto do país · Nordeste (Lula) 28,4% dos votos: 44,8%44,8Nordeste (Lula)28,4% dos votosNa região · Serra (Sánchez) 26,7% dos votos: 69,9%69,9No resto do país · Serra (Sánchez) 26,7% dos votos: 42,6%42,6Serra (Sánchez)26,7% dos votosNa região · Pacífico (Cepeda) 7,1% dos votos: 77,7%77,7No resto do país · Pacífico (Cepeda) 7,1% dos votos: 47,7%47,7Pacífico (Cepeda)7,1% dos votos
Fonte: TSE (Brasil, resto incluído o exterior). DecideLatam, a partir de Servel (Chile), ONPE (Peru, corte de cerca de 93% das atas no 2º turno) e Registraduría (Colômbia, pré-contagem). Chile: sem 2º turno por região na base. Kast venceu nas 16 regiões (CNN Español, 14/12/2025).

Brasil e Peru têm bases do mesmo tamanho. A diferença está fora delas. Fora da serra, Sánchez teve 42,6% e perdeu. Fora do Nordeste, Lula teve 44,8% e venceu. Na Colômbia, Cepeda foi melhor fora do Pacífico (47,7%), mas a base era pequena demais para compensar.

A outra diferença é a idade. O Nordeste nem sempre foi do PT. Em 2002, Lula teve no 1º turno quase a mesma votação no Nordeste e no resto do país (45,9% e 46,6%). Em 2006, na reeleição, a distância passou para 24,6 pontos e não voltou a ficar abaixo de 19,7. Estudos sobre o tema ligam essa virada aos programas de transferência de renda e ao aumento do salário mínimo (Hunter e Power, 2007, e Zucco, 2008). Desde 2010, o Nordeste dá cerca de 70% ao PT em todo 2º turno.

Nos vizinhos, a esquerda chegou ao 2º turno com nomes e partidos diferentes a cada eleição. No Peru, a serra do sul vota contra o establishment ao menos desde Ollanta Humala, em 2006, mas esse voto foi para quatro partidos em quatro 2º turnos. No Brasil, o PT esteve nos sete 2º turnos desde 2002.

2º turnos desde 2002
Quantas vezes a esquerda chegou ao 2º turno, e quantas venceu
Cada círculo é um 2º turno presidencial, com o nome do candidato de esquerda ou de centro-esquerda. À direita, em quantos 2º turnos a esquerda esteve, quantos venceu e com quantos partidos.
venceuperdeusem esquerda no 2º turnocom a esquerdaBrasil2002: Lula (PT) × José Serra · venceuLula20022006: Lula (PT) × Geraldo Alckmin · venceuLula20062010: Dilma (PT) × José Serra · venceuDilma20102014: Dilma (PT) × Aécio Neves · venceuDilma20142018: Haddad (PT) × Jair Bolsonaro · perdeuHaddad20182022: Lula (PT) × Jair Bolsonaro · venceuLula20222026: Lula (PT) × Flávio Bolsonaro · venceuLula20267 de 76 vitórias · 1 partidoChile2006: Bachelet (PS) × Sebastián Piñera · venceuBachelet20062010: Frei (DC) × Sebastián Piñera · perdeuFrei20102013: Bachelet (PS) × Evelyn Matthei · venceuBachelet20132017: Guillier (indep.) × Sebastián Piñera · perdeuGuillier20172021: Boric (Apruebo Dignidad) × José Antonio Kast · venceuBoric20212025: Jara (PC) × José Antonio Kast · perdeuJara20256 de 63 vitórias · 5 partidosPeru2006: Humala (UPP) × Alan García · perdeuHumala20062011: Humala (Gana Perú) × Keiko Fujimori · venceuHumala20112016: Kuczynski × Fujimori · sem esquerda no 2º turno2021: Castillo (Perú Libre) × Keiko Fujimori · venceuCastillo20212026: Sánchez (Juntos por el Perú) × Keiko Fujimori · perdeuSánchez20264 de 52 vitórias · 4 partidosColômbia2010: Santos × Mockus · sem esquerda no 2º turno2014: Santos × Zuluaga · sem esquerda no 2º turno2018: Petro (Colombia Humana) × Iván Duque · perdeuPetro20182022: Petro (Pacto Histórico) × Rodolfo Hernández · venceuPetro20222026: Cepeda (Pacto Histórico) × Abelardo de la Espriella · perdeuCepeda20263 de 51 vitória · 2 partidos
Fonte: DecideLatam, base de presidentes da América Latina 1990–2026, e TSE. Sem esquerda: Peru 2016 (Kuczynski × Fujimori), Colômbia 2010 (Santos × Mockus) e 2014 (Santos × Zuluaga). Na Colômbia, 2002 e 2006 foram decididas no 1º turno.

Há também a trajetória do candidato. Lula disputava a sua sétima eleição presidencial. Perdeu em 1989, 1994 e 1998, venceu em 2002 e 2006, foi impedido de concorrer em 2018, quando o PT perdeu com Fernando Haddad, e voltou a vencer em 2022, contra Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, senador pelo Rio de Janeiro, disputava a Presidência pela primeira vez. Ele compartilha a identidade política do pai, mas não é o mesmo candidato, e nada garante que tenha herdado o mesmo eleitorado. É razoável supor que reconhecimento, organização e memória de campanha ajudaram Lula. Os dados territoriais, porém, não medem quanto.

Do 1º para o 2º turno

Os quatro chegaram ao 2º turno de pontos de partida muito diferentes. Fujimori passou com só 17,1% num campo fragmentado, e Sánchez, com 12,2%. Kast chegou em segundo, com 24,0%, atrás de Jara (26,8%). Na Colômbia e no Brasil, os dois finalistas já somavam mais de 85% no 1º turno. No Brasil, quem liderava era Flávio (47,0% contra 45,2%). Esses percentuais são só dos finalistas. Em vários países, a direita tinha mais de um candidato no 1º turno. No Chile, Kast dividia esse eleitorado com Johannes Kaiser e Evelyn Matthei, e os três somavam 50,3%. No Peru, Rafael López Aliaga (11,7%) também era de direita, e na Colômbia, Paloma Valencia (7,0%).

1º e 2º turno
Os dois finalistas no 1º e no 2º turno
Só os dois finalistas, não toda a direita ou toda a esquerda. 1º turno: percentual dos votos em candidatos. 2º turno: percentual entre os dois finalistas. As duas bases são diferentes, por isso a diferença é crescimento observado, não transferência de votos.
Finalista de direitaFinalista de esquerdatom claro: 1º turno0%20%40%60%Direita 1º · Chile Kast × Jara: 24,0%24,0Direita 2º · Chile Kast × Jara: 58,2%58,2Esquerda 1º · Chile Kast × Jara: 26,8%26,8Esquerda 2º · Chile Kast × Jara: 41,8%41,8ChileKast × JaraDireita 1º · Peru Fujimori × Sánchez: 17,1%17,1Direita 2º · Peru Fujimori × Sánchez: 50,1%50,1Esquerda 1º · Peru Fujimori × Sánchez: 12,2%12,2Esquerda 2º · Peru Fujimori × Sánchez: 49,9%49,9PeruFujimori × SánchezDireita 1º · Colômbia De la Espriella × Cepeda: 44,2%44,2Direita 2º · Colômbia De la Espriella × Cepeda: 50,5%50,5Esquerda 1º · Colômbia De la Espriella × Cepeda: 42,0%42,0Esquerda 2º · Colômbia De la Espriella × Cepeda: 49,5%49,5ColômbiaDe la Espriella × CepedaDireita 1º · Brasil Flávio × Lula: 47,0%47,0Direita 2º · Brasil Flávio × Lula: 48,2%48,2Esquerda 1º · Brasil Flávio × Lula: 45,2%45,2Esquerda 2º · Brasil Flávio × Lula: 51,8%51,8BrasilFlávio × Lula
Fonte: TSE. DecideLatam, a partir de Servel, ONPE (cerca de 98% das atas no 1º turno e 93% no 2º) e Registraduría (pré-contagem). No 1º turno, Peru e Colômbia sem o exterior.

Só no Chile o finalista de direita cresceu mais que o de esquerda: Kast ganhou 34,2 pontos e Jara, 15,0. Parte da explicação está em quem ficou pelo caminho. Os candidatos de direita eliminados, como Johannes Kaiser e Evelyn Matthei, somavam 26,4 pontos. No Peru e na Colômbia, o finalista de esquerda cresceu um pouco mais (Sánchez 37,7 contra 33,0, Cepeda 7,5 contra 6,3), mas não o bastante para virar.

No Brasil, como no Chile, quem chegou em segundo venceu, mas aqui quem cresceu foi o finalista de esquerda. Lula ganhou 6,6 pontos e Flávio, 1,2. Em votos, Lula teve 10,38 milhões a mais no 2º turno. Os candidatos de centro e de esquerda eliminados, como Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), que o termômetro da SETA classifica no centro, somavam 6,26 milhões. A conta só fecha com eleitores vindos de outro lugar: de candidatos de direita, de quem anulou ou de quem não votou no 1º turno. Os números agregados mostram para que lado o 2º turno andou, mas não dizem quem votou em quem.

Quantos votaram

O voto é obrigatório no Chile, no Peru e no Brasil, onde vale dos 18 aos 70 anos, e voluntário na Colômbia. A regra ajuda a entender o comparecimento, mas não explica tudo. Chile e Brasil tiveram os maiores comparecimentos, com 85,6% e 80,8%. O Peru, também com voto obrigatório, ficou em 68,5%, perto dos 64,3% da Colômbia, onde votar é voluntário. Estes dados não permitem dizer por que o Peru votou menos.

2º turno
Comparecimento no 2º turno
Percentual do eleitorado que votou no 2º turno, segundo a regra de cada país.
0%20%40%60%80%100%Comparecimento · Chile (obrigatório): 85,6%85,6%Chile(obrigatório)Comparecimento · Peru (obrigatório): 68,5%68,5%Peru(obrigatório)Comparecimento · Colômbia (voluntário): 64,3%64,3%Colômbia(voluntário)Comparecimento · Brasil (obrigatório): 80,8%80,8%Brasil(obrigatório)
Fonte: TSE. DecideLatam, a partir de Servel, ONPE e Registraduría.

No Brasil, o comparecimento subiu entre os turnos, de 78,9% para 80,8%. Em 2010, 2014 e 2018, tinha caído. Não é possível dizer, com estes dados, quem eram os eleitores que voltaram.

Fechamento

Os quatro mapas não mostram um eleitor de direita latino-americano. Mostram um chileno, um peruano, um colombiano e um brasileiro, cada um preso à sua geografia. Alguns traços se repetem, como a cidade e a escolaridade do lado da direita, que o Brasil divide com o Peru, e a população indígena do lado da esquerda, nos quatro países. Outros mudam de sentido, como a religião e a população afrodescendente.

Cada resultado se explica por uma combinação própria. No Chile, Kast venceu em quase todo o território e cresceu com os votos da direita eliminada no 1º turno. No Peru, a esquerda teve uma base forte na serra, mas perdeu na costa, onde está Lima, e chegou ao 2º turno com um partido diferente, como em todos os 2º turnos desde 2006. Na Colômbia, a esquerda venceu nas bordas, no Pacífico e no Caribe, e perdeu no centro andino, onde estão dois terços dos votos. No Brasil, a base regional tem o tamanho da peruana, mas vota no mesmo partido há vinte anos, e a esquerda foi competitiva fora dela. Fica uma pergunta que estes dados não respondem: quanto pesaram, em cada país, a continuidade dos partidos e a trajetória dos candidatos, de Lula, que disputava a sétima eleição presidencial, a Fujimori, que chegava ao seu quarto 2º turno?

Limites. Os resultados não estão no mesmo grau de fechamento: o Peru usa o corte de cerca de 93% das atas, e a Colômbia, a pré-contagem. Os indicadores sociais são os mais parecidos possíveis, mas não idênticos: na Colômbia e no Brasil, os anos de estudo são estimados a partir do nível de instrução, e a pobreza da Colômbia é multidimensional. Os dados descrevem territórios, não pessoas, e não medem campanhas nem transferências individuais de votos.

DecideChile by UnholsterDecidePerú by UnholsterDecideColombia by UnholsterDecideBrasil by Unholster
ANÁLISIS GEOELECTORAL · CHILE, PERÚ, COLOMBIA Y BRASIL

Tres derechas y una izquierda: cuatro balotajes, cuatro mapas

Entre diciembre de 2025 y octubre de 2026, Chile, Perú, Colombia y Brasil eligieron presidente en segunda vuelta. Tres eligieron a la derecha y uno reeligió a la izquierda. El mapa de cada país muestra qué se repite en la región y qué depende de la historia de cada país.

José Antonio Kast, Keiko Fujimori, Abelardo de la Espriella y Lula
Bandera · Chile
José Antonio Kast
Chile
José Antonio
Kast
58,2%
14 de dic. 2025
contra Jeannette Jara, 41,8%
Ganó en 310 de 346 comunas
Bandera · Perú
Keiko Fujimori
Perú
Keiko Fujimori
50,1%
7 de junio 2026
contra Roberto Sánchez, 49,9%
Ganó en 46 de 196 provincias
Bandera · Colombia
Abelardo de la Espriella
Colombia
Abelardo
de la Espriella
50,5%
21 de junio 2026
contra Iván Cepeda, 49,5%
Ganó en 758 de 1.189 municipios
Bandera · Brasil
Lula da Silva
Brasil
Lula da Silva
51,8%
25 de octubre 2026
contra Flávio Bolsonaro, 48,2%
Ganó en 2.875 de 5.571 municipios

Contexto

En diez meses, cuatro países de Sudamérica definieron la Presidencia en segunda vuelta, siempre entre un candidato de derecha y uno de izquierda. En Chile, en diciembre de 2025, José Antonio Kast, del Partido Republicano, de derecha, venció a Jeannette Jara, del Partido Comunista, candidata de la coalición de izquierda del gobierno de Gabriel Boric. En Perú, en junio de 2026, Keiko Fujimori, de Fuerza Popular, de derecha, venció a Roberto Sánchez, de Juntos por el Perú, de izquierda. En Colombia, también en junio, Abelardo de la Espriella, del movimiento Defensores de la Patria, de derecha, venció a Iván Cepeda, del Pacto Histórico, la coalición de izquierda del presidente Gustavo Petro. En octubre, en Brasil, el presidente Lula, del PT (Partido de los Trabajadores), de izquierda, venció a Flávio Bolsonaro, del PL (Partido Liberal), de derecha, hijo del expresidente Jair Bolsonaro.

Son países distintos incluso antes del voto. Perú es el más indígena: una de cada cinco personas. Chile y Brasil son los más urbanos, cerca del 88%. Chile tiene la población adulta más educada, con 11,3 años de estudio en promedio, y Brasil, la menos, con 8,4.

Los cuatro países
Perfil de cada país
Porcentaje de población indígena y urbana, y promedio de años de estudio de la población de 25 años o más. Cada columna tiene su propia escala.
ChilePerúColombiaBrasilPoblación indígenaChile · Población indígena: 11,5%11,5%Perú · Población indígena: 20,3%20,3%Colombia · Población indígena: 4,5%4,5%Brasil · Población indígena: 0,6%0,6%Población urbanaChile · Población urbana: 87,8%87,8%Perú · Población urbana: 79,6%79,6%Colombia · Población urbana: 75,4%75,4%Brasil · Población urbana: 87,4%87,4%Años de estudio, adultosChile · Años de estudio, adultos: 11,311,3Perú · Años de estudio, adultos: 10,210,2Colombia · Años de estudio, adultos: 9,09,0Brasil · Años de estudio, adultos: 8,48,4
Fuente: censos de cada país. Chile: Censo 2024 (indígena) y Censo 2017 (urbana). Perú: Censo 2017. Colombia: Censo 2018. Brasil: Censo 2022, color o raza. Años de estudio: PNUD, Informe sobre Desarrollo Humano 2025 (dato de 2023).

En el resultado, los parecidos son otros. Kast fue el que más ganó, y Chile no se parece a ninguno de los otros: fue la única victoria holgada, y el mapa chileno se ordena por la religión. Perú y Colombia se parecen por el resultado general, con la derecha ganando por un punto o menos. Brasil, el único en elegir a la izquierda, se parece a Perú en varios rasgos del mapa.

Para cada país, cruzamos el voto de la menor unidad disponible (comuna en Chile, provincia en Perú, municipio en Colombia y Brasil) con el perfil social del territorio. Los datos describen territorios, no personas. El dato dice que, donde hay más de un rasgo, hubo más voto por un candidato, no que las personas con ese rasgo votaran por él. Y los indicadores no son idénticos entre países, por eso se compara la dirección, no el tamaño.

Cuatro resultados, cuatro puntos de partida

Kast obtuvo el 58,2% y ganó en 310 de las 346 comunas. Fue la única victoria amplia. Fujimori (50,1%) ganó por menos de medio punto, y De la Espriella (50,5%), por cerca de uno. Lula obtuvo el 51,8%, una diferencia de 3,6 puntos.

El territorio cuenta una historia aparte. Fujimori ganó la Presidencia ganando solo 46 de las 196 provincias. Esas 46 reúnen el 61,7% de los votos del país, y solo Lima tiene el 32,2%. De la Espriella ganó en el 64% de los municipios, y Lula, en el 52%. Una comuna, una provincia y un municipio no pesan lo mismo, así que el territorio ganado no reemplaza al voto.

2ª vuelta
Votos y territorio del ganador
Porcentaje del ganador entre los dos finalistas y porcentaje de las unidades territoriales en que obtuvo más votos.
VotosUnidades ganadas0%20%40%60%80%100%Votos · Chile Kast: 58,2%58,2%Unidades ganadas · Chile Kast: 89,6%89,6%ChileKastVotos · Perú Fujimori: 50,1%50,1%Unidades ganadas · Perú Fujimori: 23,5%23,5%PerúFujimoriVotos · Colombia De la Espriella: 50,5%50,5%Unidades ganadas · Colombia De la Espriella: 63,8%63,8%ColombiaDe la EspriellaVotos · Brasil Lula: 51,8%51,8%Unidades ganadas · Brasil Lula: 51,6%51,6%BrasilLula
Fuente: TSE (5.571 municipios). DecideLatam, a partir de Servel (Chile), ONPE (Perú, corte de cerca del 93% de las actas en segunda vuelta) y Registraduría (Colombia, preconteo). Unidades: 346 comunas, 196 provincias, 1.189 municipios en Colombia.

Dónde la izquierda y la derecha son fuertes

En el mapa, cada país tiene su propia división. En Chile, casi todo es de Kast. Jara ganó en 36 comunas, casi todas en el centro del país, en la periferia de Santiago, la capital, y en Valparaíso, la segunda ciudad más grande de Chile. En ninguna de ellas pasó del 60%. En Perú, el país se parte en dos: la sierra le dio el 69,9% a Sánchez, y la costa, donde está Lima, le dio el 58,5% a Fujimori.

En Colombia, la izquierda es fuerte en los bordes: el Pacífico le dio el 77,7% a Cepeda, y el Caribe, el 58,5%. El centro andino, con dos tercios de los votos, le dio el 55,4% a De la Espriella. En Brasil, el Nordeste le dio el 69,4% a Lula, y el Sur y el Centro-Oeste le dieron el 62,6% y el 60,0% a Flávio. El Norte se dividió por la mitad: Pará y Amazonas con Lula, Roraima, Rondônia y Acre con Flávio.

2ª vuelta
Quién ganó en cada territorio, y por cuánto
Porcentaje del candidato ganador entre los dos finalistas, por comuna (Chile), provincia (Perú) y municipio (Colombia y Brasil). En azul, la derecha. En rojo, la izquierda. Cada país en su propia escala.
Derecha 65% o más55–65%50–55%50–55%55–65%Izquierda 65% o mássin dato
Chile
Kast × Jara
Perú
Fujimori × Sánchez
Colombia
De la Espriella × Cepeda
Brasil
Flávio × Lula
Fuente: TSE e IBGE (Brasil). DecideLatam, a partir de Servel, ONPE (cerca del 93% de las actas) y Registraduría. Límites: geoBoundaries. Chile sin Isla de Pascua, Juan Fernández y Antártica. Colombia sin San Andrés. Perú: cuatro provincias de la Amazonía sin votos en la base (gris).

El mismo rasgo, el signo contrario

En el debate público, el votante de derecha suele tener un retrato fijo: más urbano, más educado, con más ingreso. En los cuatro países, ese retrato cambia de signo de un lugar a otro. Brasil se parece más a Perú.

Para comparar, dividimos el electorado de cada país en dos mitades. En educación, por ejemplo, una mitad vive en las comunas, provincias o municipios menos educados, y la otra en los más educados. El gráfico muestra cuántos puntos obtuvo la derecha de más, o de menos, en la mitad con más del rasgo.

Comparado · 4 países
Donde el rasgo es mayor, ¿la derecha gana o pierde votos?
Diferencia, en puntos, entre el voto por el candidato de derecha (Kast, Fujimori, De la Espriella y Flávio) en la mitad del electorado con más del rasgo y en la mitad con menos. Barra a la derecha: donde el rasgo es mayor, la derecha obtuvo más votos. Barra a la izquierda: obtuvo menos.
ChilePerúColombiaBrasil← derecha pierdederecha gana →−20−100+10+20Más años de estudioChile · Más años de estudio: −4,5−4,5Perú · Más años de estudio: +17,0+17,0Colombia · Más años de estudio: −1,7−1,7Brasil · Más años de estudio: +8,3+8,3Más urbanizaciónChile · Más urbanización: −9,7−9,7Perú · Más urbanización: +21,0+21,0Colombia · Más urbanización: +0,7+0,7Brasil · Más urbanización: +6,9+6,9Menos pobrezaChile · Menos pobreza: −4,5−4,5Perú · Menos pobreza: +15,9+15,9Colombia · Menos pobreza: +1,9+1,9Brasil · Menos pobreza: +18,2+18,2Más población afroChile · Más población afro: −8,1−8,1Perú · Más población afro: +11,4+11,4Colombia · Más población afro: −9,8−9,8Brasil · Más población afro: −8,4−8,4Más población indígenaChile · Más población indígena: −3,5−3,5Perú · Más población indígena: −12,4−12,4Colombia · Más población indígena: −12,5−12,5Brasil · Más población indígena: −3,9−3,9
Fuente: DecideLatam, con Servel, ONPE, Registraduría y TSE, y los censos de cada país. Votos válidos de segunda vuelta, sin el exterior. Educación: promedio de años de estudio de los adultos. En Colombia y Brasil se calcula a partir del nivel de instrucción. Pobreza: % de la población bajo la línea de pobreza por ingresos. En Brasil, la línea es medio salario mínimo por persona, y en Colombia, que no mide la pobreza por ingresos en los municipios, es la pobreza multidimensional. En Chile, urbanización es densidad. Afro en Brasil es la población negra (preta).

En Perú y Brasil, las barras de educación, urbanización y pobreza van a la derecha. En la mitad más educada de Brasil, Flávio obtuvo 52,4%, y en la menos educada, 44,1%. En Perú la distancia fue mayor: Fujimori obtuvo 58,6% y 41,6%. La ciudad votó por Fujimori y la sierra rural, por Sánchez. En Colombia, las barras son cortas: educación, urbanización y pobreza casi no separan a los candidatos.

En Chile, todas las barras van a la izquierda, pero eso no quiere decir que a más estudio, menos Kast. Medimos la educación por el promedio de años de estudio de los adultos de cada comuna, según el Censo 2024. Es el tiempo pasado en la escuela, no una medida de conocimiento. Con esa regla, el voto por Kast dibuja una U. Obtuvo 70,0% en las comunas con 9 a 10 años de estudio, bajó a 54,2% en las de 13 a 14 y volvió a subir, a 62,7%, en las de 14 o más, como Vitacura (87%), Lo Barnechea (83%) y Las Condes (78%).

Las dos puntas de la U son el campo y el barrio alto de Santiago. El fondo, entre 12 y 14 años de estudio, incluye el Gran Santiago popular y de clase media, donde Kast quedó bajo el 50% en Maipú y en Puente Alto. Las comunas de ese fondo reúnen el 46% de los votos, y el barrio alto, el 8,3%. Por eso, la mitad más educada de Chile votó menos por Kast, y la barra va a la izquierda. Lo mismo pasa con la urbanización, en la que Kast obtuvo 63,1% en la mitad menos urbana y 53,4% en la más urbana, y con la pobreza: 68,0% en las comunas con menos pobres, que reúnen el 5% de los votos, 54,7% en el medio y 60,4% en la mitad más pobre.

Con la población afrodescendiente, Brasil queda del lado de Colombia y Chile. En la mitad con más personas que se declaran negras, Flávio obtuvo 44,0%, y en la otra, 52,4%. En Colombia, Cepeda fue mejor donde hay más población afro, como en el Pacífico. En Chile, donde solo el 0,9% de la población se declara afrodescendiente, la barra también va a la izquierda. En Perú, la población afro de la costa norte votó más por Fujimori.

En Brasil, parte de estas diferencias es la distancia entre regiones: el Sur y el Centro-Oeste tienen menos pobreza y votan más a la derecha que el Nordeste. Pero la pobreza separa a los candidatos incluso cuando se compara cada municipio solo con los de su propio estado. La educación, la urbanización y la población negra separan menos dentro de cada estado, pero siguen separando.

La religión no cuenta una sola historia

En Chile, la religión fue el rasgo que más ordenó el mapa. Donde hay más personas sin religión, Kast obtuvo bastante menos votos (−0,67). Donde hay más católicos y evangélicos, obtuvo más. En Brasil, el crecimiento evangélico viene redibujando el mapa electoral hace más de una década.

En Brasil, los municipios más evangélicos votaron más por Flávio (+0,39), y esa relación se mantiene igual dentro de cada estado (+0,39). Pero la división es otra. La población sin religión no marca diferencia en Brasil (+0,01). Lo que separa es ser evangélico o católico: los municipios más católicos votaron menos por Flávio (−0,30), mientras que en Chile votaron más por Kast.

Chile y Brasil · 2ª vuelta
Voto según la religión
Correlación entre la composición religiosa de cada comuna o municipio y el voto por Kast y por Flávio.
Chile (Kast)Brasil (Flávio)← más izquierdamás derecha →−0,8−0,40+0,4+0,8Sin religiónChile (Kast) · Sin religión: −0,67−0,67Brasil (Flávio) · Sin religión: +0,01+0,01CatólicosChile (Kast) · Católicos: +0,24+0,24Brasil (Flávio) · Católicos: −0,30−0,30EvangélicosChile (Kast) · Evangélicos: +0,27+0,27Brasil (Flávio) · Evangélicos: +0,39+0,39
Fuente: Servel y Censo 2024 (INE) en Chile. TSE y Censo 2022 (IBGE, resultados preliminares de la muestra, población de 10 años o más) en Brasil. Correlación ponderada por los votos válidos de segunda vuelta.

El único rasgo que se repite

La población indígena es el único rasgo medido en los cuatro países en que las cuatro barras van al mismo lado. En los cuatro países, la derecha obtuvo menos votos en la mitad del electorado que vive en los lugares más indígenas. La diferencia es mayor en Colombia (56,4% contra 43,9%) y en Perú (56,3% contra 43,9%), y menor en Brasil (50,2% contra 46,3%) y en Chile (60,0% contra 56,5%).

Lo que cambia es la escala. En Perú, una de cada cinco personas se identifica como indígena (20,3%, Censo 2017). En Chile, el 11,5% (Censo 2024). En Colombia, una de cada 22 (4,5%). En Brasil, el 0,6% de la población se declara indígena en la pregunta de color o raza del Censo 2022. Por eso, en Brasil, la barra aparece, pero casi no pesa en el resultado.

En Chile, las mitades esconden un detalle. Las 30 comunas donde los indígenas son mayoría votaron por Kast (67,6%), desde las aymaras del altiplano, como Colchane, hasta las mapuches de La Araucanía, como Galvarino y Saavedra. Pero suman el 1,9% de los votos. Los datos son de las comunas, no de las personas, y no dicen cómo votó cada elector indígena.

Dónde la izquierda es fuerte, y cuánto pesa eso

Tres de los cuatro países tienen una región donde la izquierda gana con holgura. Lo que cambia es su tamaño. El Nordeste le dio el 69,4% a Lula y reúne el 28,4% de los votos de Brasil. La sierra peruana le dio el 69,9% a Sánchez y reúne el 26,7%. El Pacífico colombiano le dio aún más a Cepeda, el 77,7%, pero reúne solo el 7,1% de los votos. En Chile, Kast ganó en las 16 regiones.

2ª vuelta
La izquierda en su región más fuerte y en el resto del país
Porcentaje del candidato de izquierda entre los dos finalistas. Bajo cada región, la parte de los votos del país que reúne.
En la regiónEn el resto del país0%20%40%60%80%En la región · Nordeste (Lula) 28,4% de los votos: 69,4%69,4En el resto del país · Nordeste (Lula) 28,4% de los votos: 44,8%44,8Nordeste (Lula)28,4% de los votosEn la región · Sierra (Sánchez) 26,7% de los votos: 69,9%69,9En el resto del país · Sierra (Sánchez) 26,7% de los votos: 42,6%42,6Sierra (Sánchez)26,7% de los votosEn la región · Pacífico (Cepeda) 7,1% de los votos: 77,7%77,7En el resto del país · Pacífico (Cepeda) 7,1% de los votos: 47,7%47,7Pacífico (Cepeda)7,1% de los votos
Fuente: TSE (Brasil, resto incluido el exterior). DecideLatam, a partir de Servel (Chile), ONPE (Perú, corte de cerca del 93% de las actas en segunda vuelta) y Registraduría (Colombia, preconteo). Chile: sin segunda vuelta por región en la base. Kast ganó en las 16 regiones (CNN Español, 14/12/2025).

Brasil y Perú tienen bases del mismo tamaño. La diferencia está fuera de ellas. Fuera de la sierra, Sánchez obtuvo el 42,6% y perdió. Fuera del Nordeste, Lula obtuvo el 44,8% y ganó. En Colombia, a Cepeda le fue mejor fuera del Pacífico (47,7%), pero la base era demasiado pequeña para compensar.

La otra diferencia es la edad. El Nordeste no siempre fue del PT. En 2002, Lula obtuvo en primera vuelta casi la misma votación en el Nordeste y en el resto del país (45,9% y 46,6%). En 2006, con la reelección, la distancia pasó a 24,6 puntos y no volvió a bajar de 19,7. Los estudios sobre el tema vinculan ese giro a los programas de transferencia de ingresos y al aumento del salario mínimo (Hunter y Power, 2007, y Zucco, 2008). Desde 2010, el Nordeste le da cerca del 70% al PT en cada segunda vuelta.

En los vecinos, la izquierda llegó a la segunda vuelta con nombres y partidos distintos en cada elección. En Perú, la sierra del sur vota contra el establishment al menos desde Ollanta Humala, en 2006, pero ese voto fue a cuatro partidos en cuatro segundas vueltas. En Brasil, el PT estuvo en las siete segundas vueltas desde 2002.

Segundas vueltas desde 2002
Cuántas veces la izquierda llegó a la segunda vuelta, y cuántas ganó
Cada círculo es una segunda vuelta presidencial, con el nombre del candidato de izquierda o centroizquierda. A la derecha, en cuántas segundas vueltas estuvo la izquierda, cuántas ganó y con cuántos partidos.
ganóperdiósin izquierda en segunda vueltacon la izquierdaBrasil2002: Lula (PT) × José Serra · ganóLula20022006: Lula (PT) × Geraldo Alckmin · ganóLula20062010: Dilma (PT) × José Serra · ganóDilma20102014: Dilma (PT) × Aécio Neves · ganóDilma20142018: Haddad (PT) × Jair Bolsonaro · perdióHaddad20182022: Lula (PT) × Jair Bolsonaro · ganóLula20222026: Lula (PT) × Flávio Bolsonaro · ganóLula20267 de 76 victorias · 1 partidoChile2006: Bachelet (PS) × Sebastián Piñera · ganóBachelet20062010: Frei (DC) × Sebastián Piñera · perdióFrei20102013: Bachelet (PS) × Evelyn Matthei · ganóBachelet20132017: Guillier (indep.) × Sebastián Piñera · perdióGuillier20172021: Boric (Apruebo Dignidad) × José Antonio Kast · ganóBoric20212025: Jara (PC) × José Antonio Kast · perdióJara20256 de 63 victorias · 5 partidosPerú2006: Humala (UPP) × Alan García · perdióHumala20062011: Humala (Gana Perú) × Keiko Fujimori · ganóHumala20112016: Kuczynski × Fujimori · sin izquierda en segunda vuelta2021: Castillo (Perú Libre) × Keiko Fujimori · ganóCastillo20212026: Sánchez (Juntos por el Perú) × Keiko Fujimori · perdióSánchez20264 de 52 victorias · 4 partidosColombia2010: Santos × Mockus · sin izquierda en segunda vuelta2014: Santos × Zuluaga · sin izquierda en segunda vuelta2018: Petro (Colombia Humana) × Iván Duque · perdióPetro20182022: Petro (Pacto Histórico) × Rodolfo Hernández · ganóPetro20222026: Cepeda (Pacto Histórico) × Abelardo de la Espriella · perdióCepeda20263 de 51 victoria · 2 partidos
Fuente: DecideLatam, base de presidentes de América Latina 1990–2026, y TSE. Sin izquierda: Perú 2016 (Kuczynski × Fujimori), Colombia 2010 (Santos × Mockus) y 2014 (Santos × Zuluaga). En Colombia, 2002 y 2006 se decidieron en primera vuelta.

Está también la trayectoria del candidato. Lula disputaba su séptima elección presidencial. Perdió en 1989, 1994 y 1998, ganó en 2002 y 2006, fue impedido de postular en 2018, cuando el PT perdió con Fernando Haddad, y volvió a ganar en 2022, frente a Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro, senador por Río de Janeiro, disputaba la Presidencia por primera vez. Comparte la identidad política de su padre, pero no es el mismo candidato, y nada garantiza que haya heredado el mismo electorado. Es razonable suponer que el reconocimiento, la organización y la memoria de campaña ayudaron a Lula. Los datos territoriales, sin embargo, no miden cuánto.

De la primera a la segunda vuelta

Los cuatro llegaron a la segunda vuelta desde puntos de partida muy distintos. Fujimori pasó con solo el 17,1% en un campo fragmentado, y Sánchez, con el 12,2%. Kast llegó segundo, con el 24,0%, detrás de Jara (26,8%). En Colombia y Brasil, los dos finalistas ya sumaban más del 85% en primera vuelta. En Brasil, quien lideraba era Flávio (47,0% contra 45,2%). Esos porcentajes son solo de los finalistas. En varios países, la derecha tenía más de un candidato en primera vuelta. En Chile, Kast compartía ese electorado con Johannes Kaiser y Evelyn Matthei, y los tres sumaban el 50,3%. En Perú, Rafael López Aliaga (11,7%) también era de derecha, y en Colombia, Paloma Valencia (7,0%).

1ª y 2ª vuelta
Los dos finalistas en primera y segunda vuelta
Solo los dos finalistas, no toda la derecha o toda la izquierda. 1ª vuelta: porcentaje de los votos por candidatos. 2ª vuelta: porcentaje entre los dos finalistas. Las dos bases son distintas, por eso la diferencia es crecimiento observado, no traspaso de votos.
Finalista de derechaFinalista de izquierdatono claro: 1ª vuelta0%20%40%60%Derecha 1ª · Chile Kast × Jara: 24,0%24,0Derecha 2ª · Chile Kast × Jara: 58,2%58,2Izquierda 1ª · Chile Kast × Jara: 26,8%26,8Izquierda 2ª · Chile Kast × Jara: 41,8%41,8ChileKast × JaraDerecha 1ª · Perú Fujimori × Sánchez: 17,1%17,1Derecha 2ª · Perú Fujimori × Sánchez: 50,1%50,1Izquierda 1ª · Perú Fujimori × Sánchez: 12,2%12,2Izquierda 2ª · Perú Fujimori × Sánchez: 49,9%49,9PerúFujimori × SánchezDerecha 1ª · Colombia De la Espriella × Cepeda: 44,2%44,2Derecha 2ª · Colombia De la Espriella × Cepeda: 50,5%50,5Izquierda 1ª · Colombia De la Espriella × Cepeda: 42,0%42,0Izquierda 2ª · Colombia De la Espriella × Cepeda: 49,5%49,5ColombiaDe la Espriella × CepedaDerecha 1ª · Brasil Flávio × Lula: 47,0%47,0Derecha 2ª · Brasil Flávio × Lula: 48,2%48,2Izquierda 1ª · Brasil Flávio × Lula: 45,2%45,2Izquierda 2ª · Brasil Flávio × Lula: 51,8%51,8BrasilFlávio × Lula
Fuente: TSE. DecideLatam, a partir de Servel, ONPE (cerca del 98% de las actas en primera vuelta y 93% en segunda) y Registraduría (preconteo). En primera vuelta, Perú y Colombia sin el exterior.

Solo en Chile el finalista de derecha creció más que el de izquierda: Kast ganó 34,2 puntos y Jara, 15,0. Parte de la explicación está en quiénes quedaron en el camino. Los candidatos de derecha eliminados, como Johannes Kaiser y Evelyn Matthei, sumaban 26,4 puntos. En Perú y Colombia, el finalista de izquierda creció un poco más (Sánchez 37,7 contra 33,0, Cepeda 7,5 contra 6,3), pero no lo suficiente para dar vuelta el resultado.

En Brasil, como en Chile, quien llegó segundo ganó, pero aquí quien creció fue el finalista de izquierda. Lula ganó 6,6 puntos y Flávio, 1,2. En votos, Lula obtuvo 10,38 millones más en segunda vuelta. Los candidatos de centro y de izquierda eliminados, como Ronaldo Caiado (PSD) y Augusto Cury (Avante), que el termómetro de SETA clasifica en el centro, sumaban 6,26 millones. La cuenta solo cierra con electores que vinieron de otro lado: de candidatos de derecha, de quienes anularon o de quienes no votaron en primera vuelta. Los números agregados muestran hacia dónde se movió la segunda vuelta, pero no dicen quién votó por quién.

Cuántos votaron

El voto es obligatorio en Chile, Perú y Brasil, donde rige de los 18 a los 70 años, y voluntario en Colombia. La regla ayuda a entender la participación, pero no lo explica todo. Chile y Brasil tuvieron las mayores participaciones, con el 85,6% y el 80,8%. Perú, también con voto obligatorio, quedó en el 68,5%, cerca del 64,3% de Colombia, donde votar es voluntario. Estos datos no permiten decir por qué Perú votó menos.

2ª vuelta
Participación en segunda vuelta
Porcentaje del padrón que votó en segunda vuelta, según la regla de cada país.
0%20%40%60%80%100%Participación · Chile (obligatorio): 85,6%85,6%Chile(obligatorio)Participación · Perú (obligatorio): 68,5%68,5%Perú(obligatorio)Participación · Colombia (voluntario): 64,3%64,3%Colombia(voluntario)Participación · Brasil (obligatorio): 80,8%80,8%Brasil(obligatorio)
Fuente: TSE. DecideLatam, a partir de Servel, ONPE y Registraduría.

En Brasil, la participación subió entre vueltas, del 78,9% al 80,8%. En 2010, 2014 y 2018, había caído. Con estos datos no es posible decir quiénes eran los electores que volvieron.

Cierre

Los cuatro mapas no muestran un votante de derecha latinoamericano. Muestran uno chileno, uno peruano, uno colombiano y uno brasileño, cada uno atado a su geografía. Algunos rasgos se repiten, como la ciudad y la educación del lado de la derecha, que Brasil comparte con Perú, y la población indígena del lado de la izquierda, en los cuatro países. Otros cambian de sentido, como la religión y la población afrodescendiente.

Cada resultado se explica por una combinación propia. En Chile, Kast ganó en casi todo el territorio y creció con los votos de la derecha eliminada en primera vuelta. En Perú, la izquierda tuvo una base fuerte en la sierra, pero perdió en la costa, donde está Lima, y llegó a la segunda vuelta con un partido distinto, como en todas las segundas vueltas desde 2006. En Colombia, la izquierda ganó en los bordes, en el Pacífico y el Caribe, y perdió en el centro andino, donde están dos tercios de los votos. En Brasil, la base regional tiene el tamaño de la peruana, pero vota por el mismo partido hace veinte años, y la izquierda fue competitiva fuera de ella. Queda una pregunta que estos datos no responden: ¿cuánto pesaron, en cada país, la continuidad de los partidos y la trayectoria de los candidatos, desde Lula, que disputaba su séptima elección presidencial, hasta Fujimori, que llegaba a su cuarta segunda vuelta?

Límites. Los resultados no están en el mismo grado de cierre: Perú usa el corte de cerca del 93% de las actas, y Colombia, el preconteo. Los indicadores sociales son los más parecidos posibles, pero no idénticos: en Colombia y Brasil, los años de estudio se estiman a partir del nivel de instrucción, y la pobreza de Colombia es multidimensional. Los datos describen territorios, no personas, y no miden campañas ni traspasos individuales de votos.