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Eleições gerais Brasil 2026 · 2º turno

Presidência da RepúblicaSegundo Turno

Lula venceu o 2º turno por uma diferença de 4,43 milhões de votos, equivalente a 3,6 pontos percentuais.

14 min de leitura

2º turno Presidente

LulaPTLula51,79%64.256.232 votos
Flávio48,21%59.826.041 votosFlávio BolsonaroPL
45,2% 53.879.538 votos1º TURNO56.104.503 votos 47,0%
Diferença no 2ºT
4.430.191
votos, 3,57 pontos percentuais
Comparecimento
80,78%
128.236.074 eleitores
Brancos e nulos
3,24%
dos votos
Estados
13 × 14
Lula × Flávio

Resultado final do TSE, com 100% das seções. Os detalhes por estado, município, participação e o modelo de redistribuição dos votos usam a apuração da noite da eleição, com 99,7% das seções.

Resumo executivo

  • Lula ampliou sua base eleitoral e reverteu a desvantagem do 1º turno. Entre os turnos, ganhou 10,38 milhões de votos (19,3%), enquanto Flávio Bolsonaro ganhou 3,72 milhões (6,6%). Com isso, passou de uma desvantagem de 2,22 milhões de votos para uma vitória por 4,43 milhões, com 51,79% dos votos válidos. Do crescimento de Lula, 4,80 milhões de votos (46,3%) vieram do Sudeste, onde havia perdido no 1º turno. Segundo o modelo preliminar de redistribuição dos votos, essa ampliação se apoiou principalmente em três grupos de eleitores.
  • Em primeiro lugar, Lula recebeu 75% dos votos de quem se absteve no 1º turno e escolheu um finalista no 2º. O modelo estima que 4,31 milhões de eleitores fizeram esse movimento: 3,22 milhões votaram em Lula e 1,09 milhão em Flávio. O comparecimento às urnas subiu de 78,9% para 80,8%.
  • Em segundo lugar, Lula recebeu 59% dos votos dos eleitores de candidatos eliminados que escolheram um finalista no 2º turno. Os candidatos eliminados haviam recebido 9,32 milhões de votos no 1º turno. O modelo estima que 4,66 milhões desses eleitores passaram a votar em Lula e 3,29 milhões em Flávio. Entre os que escolheram um finalista, a parcela de Flávio foi de 41%.
  • Por fim, Lula recebeu 3,03 milhões de votos de eleitores que haviam votado em branco ou anulado o voto no 1º turno. O modelo estima que Flávio recebeu 0,12 milhão de votos desse grupo. Entre os que escolheram um finalista, 96% votaram em Lula. Como os dois candidatos mantiveram cerca de 98% de seus eleitores do 1º turno, a diferença esteve sobretudo na conquista de novos apoios.
  • O crescimento da votação de Lula superou o de Flávio em 93,8% dos municípios com dados comparáveis entre os turnos: 5.228 dos 5.571. Os fluxos apresentados acima são estimativas preliminares do modelo de redistribuição dos votos, calculadas com base nos resultados municipais. Não correspondem ao acompanhamento individual dos eleitores.

1O resultado

1.1. O 2º turno

Lula venceu o 2º turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de 4.430.191 votos, equivalente a 3,57 pontos percentuais. É a terceira menor margem dos sete 2º turnos desde 2002. A mais apertada até então havia sido a de 2022, de 1,80 ponto percentual.

Quase metade do crescimento de Lula veio do Sudeste. Nessa região, ele somou 4,80 milhões de votos entre os turnos, 46,3% de seu aumento nacional, apesar de ter perdido ali no 1º turno por 5,66 milhões de votos. No Nordeste, onde já havia vencido, acrescentou 2,96 milhões, equivalentes a 28,5% de seu crescimento nacional. Sua votação aumentou 25,0% no Sudeste e 13,8% no Nordeste.

Votos ganhos por Lula e por Flávio do 1º para o 2º turno, Brasil e regiõesDiferença entre os votos do 2º e do 1º turno, em milhões.
  • Lula
  • Flávio Bolsonaro

Fonte: TSE, apuração do 1º e do 2º turno de 2026 (resultado divulgado na noite da eleição). Elaboração DecideBrasil.

1.2. Estados e municípios

Lula venceu em 13 estados e Flávio, em 14. Em Minas Gerais, houve uma inversão da liderança em relação ao 1º turno. Dos 5.571 municípios com dados de 2º turno, Lula venceu em 2.875 e Flávio, em 2.695. Houve um empate em Marquinho (PR), com 1.530 votos para cada candidato. Entre os municípios com dados comparáveis, Lula ganhou mais votos que Flávio em 5.228; Flávio ganhou mais em 339; e os dois tiveram o mesmo aumento em 4.

Lula

Lula

13 estados · 2.875 municípios

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro

14 estados · 2.695 municípios

2Participação

2.1. Participação e crescimento do voto

O comparecimento subiu de 78,92% para 80,60%, um aumento líquido de 2,67 milhões de eleitores. Segundo o modelo preliminar de redistribuição dos votos, 4,31 milhões de pessoas que se abstiveram no 1º turno escolheram um finalista no 2º: 3,22 milhões votaram em Lula e 1,09 milhão em Flávio. Lula recebeu, assim, 75% dos votos desse grupo. Os dois números medem movimentos distintos: 4,31 milhões é a estimativa de quantos deixaram de se abster e votaram em um finalista; 2,67 milhões é o saldo da mudança no comparecimento, que considera tanto quem passou a votar quanto quem deixou de comparecer.

O Sudeste foi a região que mais contribuiu para o crescimento da votação de Lula. Ali, o comparecimento subiu de 77,3% para 79,6% (+2,3 pontos percentuais), e Lula ganhou 4,75 milhões de votos, enquanto Flávio ganhou 1,91 milhão. No Nordeste, o comparecimento passou de 81,6% para 83,2% (+1,6 ponto percentual), e os candidatos acrescentaram, respectivamente, 2,85 milhões e 0,36 milhão de votos. O crescimento de cada um também inclui votos de eleitores dos candidatos eliminados e de quem havia votado em branco ou anulado o voto.

Variação do comparecimento do 1º para o 2º turno de 2026, por regiãoDiferença em pontos percentuais.

Fonte: TSE, apuração do 1º e do 2º turno de 2026 (resultado divulgado na noite da eleição). Elaboração DecideBrasil.

2.2. Brancos e nulos

No 2º turno, 1.427.666 eleitores votaram em branco e 2.716.776 anularam o voto. Juntos, os votos brancos e nulos representaram 3,24% do total, contra 4,77% no 1º turno. É o menor percentual em um 2º turno desde 2002. Esse percentual subiu em 5 unidades da Federação e caiu em 22 em relação ao 1º turno.

Todas as regiões registraram queda na proporção de votos brancos e nulos. Da maior redução para a menor, os percentuais passaram de 5,1% para 3,0% no Nordeste (−2,1 pp), de 5,5% para 3,8% no Sudeste (−1,7 pp), de 3,8% para 2,8% no Sul (−1,0 pp), de 3,4% para 2,6% no Norte (−0,8 pp) e de 3,3% para 2,7% no Centro-Oeste (−0,6 pp).

Brancos e nulos por região, 1º e 2º turno de 2026Percentual dos votos (comparecimento).
  • 1º turno
  • 2º turno

Fonte: TSE, apuração do 1º e do 2º turno de 2026 (resultado divulgado na noite da eleição). Elaboração DecideBrasil.

2.3. Evolução histórica

No 2º turno de 2026, compareceram 80,60% dos eleitores aptos. No 1º turno, o comparecimento havia sido de 78,92%: a quinta queda consecutiva em um 1º turno desde 2006 e o menor patamar desde 1998. Em 2022, o comparecimento subiu do 1º para o 2º turno, de 79,05% para 79,42%, o único aumento entre turnos na série 2002–2022.

Comparecimento nas eleições presidenciais, 1994–2026Percentual dos eleitores aptos que votaram, por turno. O eixo começa em 74% para que a diferença entre turnos fique visível.
  • 1º turno
  • 2º turno

Fonte: TSE, dados abertos (detalhe da votação por município e zona, 1994–2026). Elaboração DecideBrasil.

Brancos e nulos nas eleições presidenciais, 1994–2026Percentual dos votos (comparecimento), por turno
  • Brancos
  • Nulos

Fonte: TSE, dados abertos (detalhe da votação por município e zona, 1994–2026). Elaboração DecideBrasil. Em 1994 a votação foi toda em cédula de papel, e em 1998 em parte, o que eleva os nulos.

Nas seis eleições com 2º turno entre 2002 e 2022, o grupo de eleitores sem voto válido diminuiu do 1º para o 2º turno em três (2002, 2014 e 2022) e cresceu nas outras três. As duas maiores quedas ocorreram em 2014 (1,06 ponto percentual do eleitorado) e em 2002 (1,05 ponto percentual). Em 2014, houve movimentos em sentidos opostos: a abstenção aumentou em 2,44 milhões de eleitores, os votos brancos e nulos diminuíram em 3,96 milhões e os votos válidos cresceram em 1,52 milhão. Os dados agregados, porém, não mostram para quem foram esses votos. O modelo de redistribuição dos votos, apresentado no capítulo 3, busca estimar essa distribuição.

3Modelo de redistribuição dos votos

3.1. Do 1º para o 2º turno

O modelo de redistribuição dos votos apresenta estimativas preliminares, calculadas na noite da eleição com os resultados municipais disponíveis para comparar os turnos. Quando o TSE publicar os dados por seção eleitoral, dias depois, será elaborada uma nova versão. O modelo estima, dentro de cada estado, como os eleitores de cada opção do 1º turno se distribuíram no 2º, buscando explicar as diferenças observadas entre os municípios.

Segundo o modelo preliminar, os dois candidatos mantiveram cerca de 98% de seus eleitores do 1º turno. A diferença esteve na conquista de novos apoios. Dos 4,31 milhões de eleitores que se abstiveram no 1º turno e escolheram um finalista no 2º, 3,22 milhões votaram em Lula e 1,09 milhão em Flávio. Lula recebeu, portanto, 75% dos votos desse grupo. Essa estimativa de novos votantes não equivale ao aumento líquido do comparecimento, de 2,67 milhões de eleitores.

Entre os eleitores de candidatos eliminados que escolheram um finalista, Lula recebeu 59% dos votos, ou 4,66 milhões. Flávio recebeu os 41% restantes, equivalentes a 3,29 milhões. Entre os que haviam votado em branco ou anulado o voto e depois escolheram um finalista, 96% votaram em Lula: 3,03 milhões, contra 0,12 milhão para Flávio. Segundo o modelo, a combinação dessas três fontes de novos apoios explica a maior ampliação da base eleitoral de Lula.

Na comparação com os totais das 27 unidades da Federação, sem os votos do exterior, o modelo apresenta um desvio de 0,3% para Lula e de 0,1% para Flávio. A proximidade dos totais, porém, não mede a precisão de cada transferência estimada. A distribuição dos eleitores dos candidatos que não passaram ao 2º turno é a parte menos precisa: em 2022, três métodos estimaram que entre 27% e 59% dos eleitores de Simone Tebet votaram em Lula. Por isso, os fluxos apresentados devem ser lidos como estimativas preliminares, e não como o acompanhamento individual dos eleitores.

Transferência de votos do 1º para o 2º turno de 2026Estimativa preliminar do modelo de redistribuição dos votos, por município e dentro de cada estado; a versão por seção eleitoral substitui esta nos próximos dias. Fluxos menores que 150 mil eleitores não aparecem.

Fonte: TSE, divulgação do resultado por município (1º e 2º turno de 2026). Modelo de inferência ecológica da Unholster, estimado por estado. Elaboração DecideBrasil.

Para onde foi cada eleitor do 1º turnoPercentual dos eleitores de cada opção do 1º turno, por opção no 2º turno. Estimativa preliminar por município, dentro de cada estado; a cor mais forte marca o destino mais comum.

Fonte: TSE, resultado por município, 2026. Modelo de redistribuição dos votos DecideBrasil (preliminar).

4Do 1º para o 2º turno

No 1º turno, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%: 2.224.965 votos de diferença. Os dois somaram 92,2% dos válidos. Os outros dez candidatos ficaram com 9,32 milhões de votos, com Augusto Cury (AVANTE, 2,89%), Renan Santos (MISSÃO, 2,24%) e Ronaldo Caiado (PSD, 2,18%) à frente. Em relação ao 1º turno de 2022, a votação de Lula caiu em 25 das 27 unidades da Federação, enquanto a de Flávio superou a de Jair Bolsonaro em 26.

4.1. Os votos que mudaram

Do 1º para o 2º turno, a abstenção diminuiu em 2,67 milhões de eleitores, os votos brancos e nulos caíram em 1,83 milhão e os votos válidos aumentaram em 4,50 milhões. A proporção de eleitores sem voto válido caiu 2,84 pontos percentuais do eleitorado, a maior queda da série desde 2002. Nesse período, Lula ganhou 10,20 milhões de votos e Flávio, 3,62 milhões. Os candidatos eliminados haviam recebido 9,32 milhões de votos. Como em 2014, os dados agregados não mostram de onde veio cada voto. Essa distribuição é estimada pelo modelo de redistribuição dos votos do capítulo 3.

O que mudou do 1º para o 2º turno de 2026Abstenção, brancos e nulos e votos válidos nos dois turnos, em milhões de eleitores. Em cima de cada par, a variação.
  • 1º turno
  • 2º turno

Fonte: TSE, dados abertos (detalhe da votação por município e zona, 1994–2026). Elaboração DecideBrasil.

5Os estados que só votaram para presidente

Vinte e uma unidades da Federação, que reúnem 92% do eleitorado, já tinham governador eleito antes do 2º turno, a maior proporção da série. O Rio de Janeiro entrou nesse grupo em 8 de outubro, quando o TSE anulou os votos de Garotinho e Douglas Ruas foi considerado eleito. Apenas Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Tocantins tiveram 2º turno estadual em 25 de outubro. A disputa pelos governos estaduais é tratada em informe próprio. Aqui, o objetivo é analisar se a ausência dessa disputa alterou a participação dos eleitores.

5.1. O que aconteceu em 2026

Em 2026, a abstenção caiu 1,79 ponto percentual do 1º para o 2º turno nas 21 unidades da Federação com governador eleito e 0,15 ponto percentual nas 6 com disputa estadual, em cálculo ponderado pelo eleitorado. A queda foi, portanto, 1,64 ponto percentual maior onde o governador já havia sido escolhido. Esse resultado tem sentido oposto ao coeficiente histórico de +0,29 ponto percentual estimado para a série 2002–2022 (seção 5.2). As medidas, porém, são distintas: a comparação de 2026 descreve a diferença observada naquele ano; o coeficiente histórico resulta de uma regressão com efeitos fixos de estado e ano. Por isso, não devem ser interpretadas como estimativas equivalentes de um efeito causal.

Variação da abstenção do 1º para o 2º turno, por eleição, 2002–2026Pontos percentuais, média ponderada pelo eleitorado de cada grupo de estados.
  • Com 2º turno para governador
  • Governador já eleito

Fonte: TSE. Elaboração DecideBrasil.

5.2. O efeito histórico, em resumo

Nas seis eleições com 2º turno entre 2002 e 2022, a abstenção subiu do 1º para o 2º turno em quase todos os estados, com ou sem disputa para governador. A análise compara cada estado consigo mesmo nos anos em que houve e nos anos em que não houve 2º turno estadual. Quando o governador já estava eleito, o aumento da abstenção foi 1,12 ponto percentual maior na média dos estados e 0,29 ponto percentual maior no cálculo ponderado pelo eleitorado. O efeito é forte nos estados pequenos do Norte e fraco nos grandes. Ao excluir uma região de cada vez da análise, o efeito ponderado varia de 0,10 a 0,62 ponto percentual.

Efeito de já ter governador eleito, com e sem cada regiãoPontos percentuais a mais de abstenção no 2º turno, comparando cada estado consigo mesmo, 2002–2022
  • Média por estado
  • Ponderado pelo eleitorado

Fonte: TSE. Regressão com efeitos fixos de estado e ano. Elaboração DecideBrasil.

6Comparações históricas

6.1. Em relação a 2022 e aos 2º turnos anteriores

A diferença de 3,57 pontos percentuais entre Lula e Flávio é a terceira menor dos sete 2º turnos desde 2002. A figura compara as margens de vitória no período.

Margem de vitória nos 2º turnos presidenciais, 2002–2026Diferença entre o vencedor e o segundo colocado, em pontos percentuais dos votos válidos

Fonte: TSE, votação por candidato, 2002–2026. Elaboração DecideBrasil.

Em relação ao 2º turno de 2022, a votação de Lula subiu 0,89 ponto percentual no país, de 50,90% para 51,79% dos válidos, enquanto a de Flávio Bolsonaro ficou abaixo da de Jair Bolsonaro na mesma proporção. Por estado, Lula ficou acima do seu resultado de 2022 em 16 das 27 unidades da Federação, e Flávio ficou acima do resultado de Jair Bolsonaro em 11 delas. As maiores altas de Flávio foram no Tocantins (+2,7 pp), no Maranhão (+1,6 pp) e no Rio Grande do Sul (+1,5 pp). As maiores altas de Lula foram no Distrito Federal (+4,6 pp), no Amapá (+4,2 pp) e no Acre (+3,7 pp).

Variação de Lula e de Flávio em relação ao 2º turno de 2022, por estadoPontos percentuais dos votos válidos. Lula comparado com Lula em 2022; Flávio Bolsonaro comparado com Jair Bolsonaro em 2022. Estados em ordem da variação de Flávio.
  • Lula
  • Flávio Bolsonaro

Fonte: TSE, dados abertos (detalhe da votação e votação por candidato, por município e zona, 2º turno de 2022 e de 2026). Elaboração DecideBrasil.

7A campanha do 2º turno

7.1. A mudança na campanha de Lula

Lula chegou ao 2º turno em desvantagem: no 1º, recebeu 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio Bolsonaro. Segundo O Tempo, o próprio Lula classificou a campanha do 1º turno como a menos organizada de que participou desde 1989. Para o 2º turno, a campanha deixou em segundo plano temas como soberania, minerais críticos e defesa da democracia. Passou a dar mais espaço ao Bolsa Família, ao salário mínimo, às aposentadorias, ao fim da escala 6x1 e ao transporte gratuito no fim de semana.

A mobilização também se voltou a quem não havia comparecido às urnas. Em 16 de outubro, em Minas Gerais, Lula pediu aos apoiadores que procurassem eleitores com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo, e pessoas que não tinham votado no 1º turno: «Vamos de casa em casa para convencer». Entre 5 e 24 de outubro, Lula fez campanha presencial em 18 dias e Flávio, em 19.

7.2. Por onde passaram os candidatos

Entre 5 e 24 de outubro, Lula fez campanha presencial em 18 dos 20 dias e passou por 9 estados. Concentrou mais dias no Distrito Federal (8), em São Paulo (3) e no Rio de Janeiro (3). Flávio Bolsonaro fez campanha em 19 dias e passou por 11 estados, com mais dias no Distrito Federal (7), no Rio de Janeiro (5) e em São Paulo (4). No 1º turno, Lula havia feito campanha em 24 dias e passado por 14 estados; Flávio, em 35 dias e por 17 estados. Os compromissos de governo de Lula não entram nessa contagem.

Por onde passaram Lula e Flávio Bolsonaro, dia a diaAtividades de campanha presenciais por estado e dia; os compromissos de governo de Lula não entram. Os botões alternam o 2º turno (a partir de 5/10) e o 1º (16/8 a 3/10). Quanto mais escura a célula, mais eventos no dia. À direita, o total de dias em cada estado. Passe o cursor ou toque para ver a agenda.

Fonte: agendas divulgadas pelas campanhas e noticiário diário (Agência Brasil, Jovem Pan, agenda do Planalto, CNN Brasil, Metrópoles), 2026. Levantamento DecideBrasil.

7.3. Os debates

Lula e Flávio Bolsonaro participaram de dois debates no 2º turno: na Band, em 18 de outubro, e na Globo, em 23 de outubro, dois dias antes da votação. No debate da Globo, Flávio chamou Lula de «nove dedos», em referência ao dedo que ele perdeu em um acidente de trabalho quando era metalúrgico. Lula respondeu que não permitiria que «um miliciano» o chamasse assim. Flávio pediu desculpas: «Se eu te ofendi, peço desculpas de verdade».

Nesse mesmo debate, Lula levou à plateia Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara, menina de 5 anos morta por um tiro de fuzil. Lula cobrou explicações de Flávio, que havia sido advogado do policial militar acusado do disparo. Ao responder, Flávio chamou a mãe de «Ana Clara».

Os dados da apuração não permitem identificar o efeito dos debates sobre o voto. A pesquisa Nexus de 19 de outubro mostrou Flávio Bolsonaro com 50,3% e Lula com 49,7% dos votos válidos.

7.4. As redes e o «Exército do Lula»

Flávio gastou mais com propaganda paga na internet. Até 20 de outubro, sua campanha declarou ao TSE R$ 9,2 milhões em impulsionamento online, equivalentes a 13,3% de seus gastos. A campanha de Lula declarou R$ 2,69 milhões, ou 4,1%. Somente na Meta, os valores foram de R$ 7,45 milhões para Flávio e R$ 2,59 milhões para Lula.

No 2º turno, a mobilização digital de Lula também se apoiou em um canal sem custo declarado: o «Exército do Lula», no WhatsApp, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG). Os seguidores recebem «missões», como compartilhar vídeos, fazer memes, publicar hashtags e realizar buscas no Google. Durante o debate da Band, o canal pediu buscas como «Flávio Ana Clara». Em 22 de outubro, em uma live com Janones e artistas, Lula pediu: «Quero todos armados com seus celulares». O número de seguidores indica o alcance potencial do canal, mas não quantas pessoas participaram das ações.

7.5. O comparecimento

O comparecimento subiu de 78,92% no 1º turno para 80,60% no 2º, um aumento de 1,68 ponto percentual. Segundo o modelo de redistribuição dos votos (capítulo 3), 4,31 milhões de eleitores que não compareceram no 1º turno votaram em um dos finalistas no 2º. Desse grupo, 75% escolheram Lula.

A apuração mostra quantos eleitores votaram, mas não por que decidiram comparecer. A disputa chegou ao 2º turno com uma diferença de 2,22 milhões de votos e terminou empatada nas pesquisas. Nesse cenário, o eleitor pode perceber que seu voto tem mais peso no resultado. Essa hipótese é compatível com os números, mas sua confirmação depende de pesquisa com os eleitores.

7.6. De onde vieram os votos

Entre os turnos, Lula ganhou 10,20 milhões de votos e Flávio, 3,62 milhões. Segundo o modelo, entre os eleitores dos candidatos eliminados que escolheram um finalista, 59% votaram em Lula e 41% em Flávio. Esses percentuais equivalem a 4,66 milhões e 3,29 milhões de votos, respectivamente. Entre os eleitores que haviam votado em branco ou anulado o voto no 1º turno e escolheram um finalista no 2º, 96% votaram em Lula.

Somadas as três origens de novos apoios — eleitores dos candidatos eliminados, eleitores que haviam votado em branco ou anulado o voto e pessoas que não tinham comparecido —, Lula recebeu 10,91 milhões de votos e Flávio, 4,49 milhões. As transferências diretas entre os dois candidatos foram menores: 293 mil votos de Lula para Flávio e 454 mil de Flávio para Lula. Esses números são estimativas preliminares, sujeitas à incerteza descrita no capítulo 3.

8Conclusão

Lula venceu com 51,79% dos votos válidos ao reverter a desvantagem do primeiro turno e ampliar sua base eleitoral. Entre os turnos, ganhou 10,38 milhões de votos, dos quais 4,80 milhões vieram do Sudeste. No contexto regional, sua vitória contrasta com as de José Antonio Kast no Chile, Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia. O resultado mostra que as eleições da região não seguem uma trajetória única. Também chama a atenção para a Argentina em 2027, quando voltará a ser testada a capacidade do governo e da oposição de conquistar apoios além de suas bases.

decidebrasil.com